Pentecostes

Jo 20, 19-23

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,

estando fechadas as portas da casa

onde os discípulos se encontravam,

com medo dos judeus,

veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes:

«A paz esteja convosco».

Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado.

Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.

Jesus disse-lhes de novo:

«A paz esteja convosco.

Assim como o Pai Me enviou,

também Eu vos envio a vós».

Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes:

«Recebei o Espírito Santo:

àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados;

e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».

 

Talvez seja bom descobrir a ‘inutilidade de Deus’. Os Apóstolos recebem o Espírito Santo e este tem apenas como missão preencher de vida tudo em todos, pela paz e amizade criada. Não serve para mais nada, apenas para recriar tudo agora segundo a lei do amor e já não no determinismo da natureza. Se Deus fosse útil, serviria para meu gozo própria ou para a minha felicidade individual. Nada disso, Ele apenas deseja que saibamos que somos amados e isso não tem qualquer utilidade. A missão que nos confia é apenas essa, viver como pessoas que são infinitamente amadas. Pertencer ao grupo de discípulos de Jesus, a Igreja, é viver diante desta experiência de ser amado. E isso serve para quê? Pois…

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Ascensão

Mt 28, 16-20

Naquele tempo,

os onze discípulos partiram para a Galileia,

em direção ao monte que Jesus lhes indicara.

Quando O viram, adoraram-n’O;

mas alguns ainda duvidaram.

Jesus aproximou-Se e disse-lhes:

«Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra.

Ide e ensinai todas as nações,

baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo,

ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei.

Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».

 

Um seguir que é permanecer. Permanecer que é amar e não há maior amor do que há em Deus. Seguir Jesus, ser seu discípulo, apenas isso, a grande amizade com Ele está no viver a Sua missão o máximo possível. Dar a vida pelo amigo, dando-se na vida pelos amigos, para que também esses vivam no mesmo amor com que nós vivemos, com que fomos batizados. A missão é essa, mergulhar, batizar, todos no amor que há em Deus. Aqui sim, tantos a libertar das ataduras do mal…

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Páscoa VI

Jo 14, 15-21

Naquele tempo,

disse Jesus aos seus discípulos:

«Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos.

E Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Paráclito,

para estar sempre convosco:

Ele é o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber,

porque não O vê nem O conhece,

mas que vós conheceis,

porque habita convosco e está em vós.

Não vos deixarei órfãos: voltarei para junto de vós.

Daqui a pouco o mundo já não Me verá,

mas vós ver-Me-eis, porque Eu vivo e vós vivereis.

Nesse dia reconhecereis que Eu estou no Pai

e que vós estais em Mim e Eu em vós.

Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre,

esse realmente Me ama.

E quem Me ama será amado por meu Pai,

e Eu amá-lo-ei e manifestar-Me-ei a ele».

Continuamos a senda do caminho que leva à verdade da vida ou, melhor, uma vida na verdade leva a um caminho de humildade. Agora damos um passo em frente e completamos esta caminhada. Esta tem um fim, a comunhão com o Pai em Jesus Cristo pelo Espírito Santo. Tudo mais simples, Deus tem uma morada para nós e no Seu imenso amor deseja habitar connosco a vida. Não é um concorrente nem entre em disputa, mas quem ama sabe que o amor faz sempre uma morada no coração para aquele que se ama. Esta é a missão do Espírito, preparar essa morada onde nos podemos encontrar. A verdade do amor vê-se aqui na morada que se prepara, se é de sempre e para sempre ou se é apenas um tugúrio para albergar amores a enjeitar.

Páscoa V

Jo 14, 1-12

Naquele tempo,

disse Jesus aos seus discípulos:

«Não se perturbe o vosso coração.

Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim.

Em casa de meu Pai há muitas moradas;

se assim não fosse,

Eu vos teria dito que vou preparar-vos um lugar?

Quando eu for preparar-vos um lugar,

virei novamente para vos levar comigo,

para que, onde Eu estou, estejais vós também.

Para onde Eu vou, conheceis o caminho».

Disse-Lhe Tomé:

«Senhor, não sabemos para onde vais:

como podemos conhecer o caminho?».

Respondeu-lhe Jesus:

«Eu sou o caminho, a verdade e a vida.

Ninguém vai ao Pai senão por Mim.

Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai.

Mas desde agora já O conheceis e já O vistes».

Disse-Lhe Filipe:

«Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta».

Respondeu-lhe Jesus:

«Há tanto tempo que estou convosco

e não Me conheces, Filipe?

Quem Me vê, vê o Pai.

Como podes tu dizer: ‘Mostra-nos o Pai’?

Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim?

As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio;

mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras.

Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim;

acreditai ao menos pelas minhas obras.

Em verdade, em verdade vos digo:

quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço

e fará obras ainda maiores,

porque Eu vou para o Pai».

 

O poeta diz que não há caminho, porque este se faz a andar. Hoje, talvez, muitos dirão que não há um só caminho. Talvez um ou outro mais radical acrescente que não há qualquer género de caminho, por ser um anarquista. Ser anarquista é viver sem um princípio e logo também sem qualquer fim. No meu humilde entender, até isto é um princípio e que tem por fim, não ter qualquer forma de fim. É verdade, o fim forma o caminho. O fim que damos à vida forma o caminho que fazemos e essa passa a ser a nossa verdade. A verdade de Jesus é a profunda comunhão de vida com o Pai, por isso todo o seu caminho é levar todos ao Pai. Um caminho vivente e verdadeiro porque na humildade. O princípio de tudo deverá ser mesmo este, não temos princípio em nós próprios, somos seres dados por outros, Outro. E fim?

Páscoa IV

Jo 10, 1-10

Naquele tempo, disse Jesus:

«Em verdade, em verdade vos digo:

Aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta,

mas entra por outro lado,

é ladrão e salteador.

Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas.

O porteiro abre-lhe a porta

e as ovelhas conhecem a sua voz.

Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva-as para fora.

Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem,

caminha à sua frente;

e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz.

Se for um estranho, não o seguem, mas fogem dele,

porque não conhecem a voz dos estranhos».

Jesus apresentou-lhes esta comparação,

mas eles não compreenderam o que queria dizer.

Jesus continuou:

«Em verdade, em verdade vos digo:

Eu sou a porta das ovelhas.

Aqueles que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores,

mas as ovelhas não os escutaram.

Eu sou a porta.

Quem entrar por Mim será salvo:

é como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem.

O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir.

Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida

e a tenham em abundância».

 

É habitual dizer que Jesus é o bom/belo pastor. Tão comum que já não estranhamos que a beleza deste pastor encontra-se na bondade com que conhece cada ovelha, como as conduz para as pastagens mais verdejantes e no fato de seguir à frente do rebanho. Mas não chega e em tudo isto só se encontra o assombro quando fixamos a escuta na proclamação: “Eu sou a porta”. É fácil compreender a alegoria de Jesus luz do mundo, água viva ou bom pastor, já a da porta é difícil. Que porta? Na nossa casa há umas quantas portas, na vida muitas mais, mas no fim de tudo só uma interessa que se abra. Jesus deixou que lhe abrissem o coração na cruz e daqui brotou vida em abundância. Não, não defendemos o sacrifício pelo sacrifício, mas a entrega que nos faz caminhar à frente do rebanho, que nos faz ser como a porta por onde o rebanho entra na vida.

Páscoa III

Lc 24, 13-35

Dois dos discípulos de Jesus

iam a caminho duma povoação chamada Emaús,

que ficava a duas léguas de Jerusalém.

Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido.

Enquanto falavam e discutiam,

Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho.

Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem.

Ele perguntou-lhes.

«Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?».

Pararam, com ar muito triste,

e um deles, chamado Cléofas, respondeu:

«Tu és o único habitante de Jerusalém

a ignorar o que lá se passou nestes dias».

E Ele perguntou: «Que foi?».

Responderam-Lhe:

«O que se refere a Jesus de Nazaré,

profeta poderoso em obras e palavras

diante de Deus e de todo o povo;

e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes

O entregaram para ser condenado à morte e crucificado.

Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel.

Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu.

É verdade que algumas mulheres do nosso grupo

nos sobressaltaram:

foram de madrugada ao sepulcro,

não encontraram o corpo de Jesus

e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos

a anunciar que Ele estava vivo.

Alguns dos nossos foram ao sepulcro

e encontraram tudo como as mulheres tinham dito.

Mas a Ele não O viram».

Então Jesus disse-lhes:

«Homens sem inteligência e lentos de espírito

para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram!

Não tinha o Messias de sofrer tudo isso

para entrar na sua glória?».

Depois, começando por Moisés

e passando pelos Profetas,

explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito.

Ao chegarem perto da povoação para onde iam,

Jesus fez menção de ir para diante.

Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo:

«Ficai connosco, porque o dia está a terminar

e vem caindo a noite».

Jesus entrou e ficou com eles.

E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção,

partiu-o e entregou-lho.

Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O.

Mas Ele desapareceu da sua presença.

Disseram então um para o outro:

«Não ardia cá dentro o nosso coração,

quando Ele nos falava pelo caminho

e nos explicava as Escrituras?».

Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém

e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, que diziam:

«Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão».

E eles contaram o que tinha acontecido no caminho

e como O tinham reconhecido ao partir o pão

 

 

Trazemos sonhos enterrados, vozes abafadas. Já pouco ou nada sonhamos. Apenas deambulamos entre desassossegadas recordações. Suspiramos uma vida desatada das cáusticas vozes da morte. E o caminho faz-se descaminhando. Não há espaço para devaneios e todo aquele que em nós deseja abrir uma outra possibilidade terá como resposta a reação: não sabes, não compreendes… não passa de uma ilusão…

É verdade que dói quando o coração começa a arder. Todos bem sabemos o que é um coração incendiado de paixão. E o lume brando que abre um outro sentido? “Não nos ardia o coração…” Agora já não é de paixão, mas de um fogo que consome a vida. Não mais um viver como se nada mais houvesse para viver. Só há algo a viver quando caminhamos juntos. A ressurreição é mais do que uma mensagem que não morre ou alguém que fica vivo nas suas palavras, é sobretudo uma amizade que a morte não vence, porque mesmo depois de morto, eu continuo a caminhar contigo, a fazer dos meus passos um espaço para comungar: “sempre que fizeres a um dos meus irmãos mais pequeninos…” ainda há tantos passos a dar…

Páscoa II

Jo 20, 19-31

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,

estando fechadas as portas da casa

onde os discípulos se encontravam,

com medo dos judeus,

veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes:

«A paz esteja convosco».

Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado.

Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.

Jesus disse-lhes de novo:

«A paz esteja convosco.

Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós».

Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes:

«Recebei o Espírito Santo:

àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados;

e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».

Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo,

não estava com eles quando veio Jesus.

Disseram-lhe os outros discípulos:

«Vimos o Senhor».

Mas ele respondeu-lhes:

«Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos,

se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado,

não acreditarei».

Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa

e Tomé com eles.

Veio Jesus, estando as portas fechadas,

apresentou-Se no meio deles e disse:

«A paz esteja convosco».

Depois disse a Tomé:

«Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos;

aproxima a tua mão e mete-a no meu lado;

e não sejas incrédulo, mas crente».

Tomé respondeu-Lhe:

«Meu Senhor e meu Deus!».

Disse-lhe Jesus:

«Porque Me viste acreditaste:

felizes os que acreditam sem terem visto».

Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos,

que não estão escritos neste livro.

Estes, porém, foram escritos

para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus,

e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

 

A fé é uma casa a ser habitada por todos aqueles que acordam com a luz que entra pelas janelas da amizade. Tomé tinha perdido esta amizade, fugiu e andava foragido de si, por não querer sofrer a dor de ter perdido. Jesus entra na casa dos discípulos e vem ao encontro dos seus amigos, daqueles que estão disponíveis para serem encontrados. Tomé ainda não, precisava de provas, não arrisca ficar por ali, dói ter perdido o amigo por quem estava pronto a morrer. É Jesus que arrisca deixar-se tocar, em dar a vida, deu-a na cruz e dá agora a todos que acolhem a luz que entra na vida pela amizade. A amizade é habitar a casa em que se arrisca dar a vida uns pelos outros.

Páscoa

Jo 20, 1-9

No primeiro dia da semana,

Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro

e viu a pedra retirada do sepulcro.

Correu então e foi ter com Simão Pedro

e com o discípulo predilecto de Jesus

e disse-lhes:

«Levaram o Senhor do sepulcro,

e não sabemos onde O puseram».

Pedro partiu com o outro discípulo

e foram ambos ao sepulcro.

Corriam os dois juntos,

mas o outro discípulo antecipou-se,

correndo mais depressa do que Pedro,

e chegou primeiro ao sepulcro.

Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou.

Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira.

Entrou no sepulcro

e viu as ligaduras no chão

e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus,

não com as ligaduras, mas enrolado à parte.

Entrou também o outro discípulo

que chegara primeiro ao sepulcro:

viu e acreditou.

Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura,

segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

 

Talvez isto não seja mesmo uma questão analítica à priori, contudo mais cedo ou mais tarde teremos que dar razões da nossa fé. Primeiro está o amor que nos faz correr, pode-se dizer, mas também não é assim, primeiro está a fé, aquela que faz Pedro levantar-se para ir ao sepulcro, aquela fé que não teve e por isso não confessou ser discípulo de Jesus. Só porque agora se lançou para a frente é que pode fazer a experiência de fé. Depois… sim… a verbalização… essa fica sempre para depois.

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Ramos

Mt 27,11-54

Naquele tempo, Jesus foi levado à presença do governador Pilatos,

Que lhe perguntou:

«Tu és o Rei do judeus?»

Jesus respondeu:

«É como dizes».

Mas, ao ser acusado pelos príncipes dos sacerdotes

e pelos anciãos nada respondeu. Disse-Lhe então Pilatos:

«Não ouves quantas acusações levantam contra Ti?»

mas Jesus não respondeu coisa alguma,

a ponto de o governador ficar muito admirado.

Ora, pela festa da Páscoa, o governador costumava soltar um preso,

à escolho do povo. Nessa altura, havia um preso famoso, chamado Barrabás.

E, quando eles se reuniram, disse-lhes:

«Qual quereis que vos solte?

Barrabás, ou Jesus, chamado Cristo?»

Ele bem sabia que O tinham entregado por inveja.

Enquanto estava sentado no tribunal, a mulher mandou-lhe dizer:

«Não te prendas com a causa desse justo,

pois sofri muito em sonhos por causa d’Ele».

Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos

Persuadiram a multidão a que pedisse Barrabás e fizesse morrer Jesus.

O governador tomou a palavra e perguntou-lhes:

«Qual dos dois quereis que vos solte?»

eles responderam:

«Barrabás»

disse-lhes Pilatos:

«E que hei-de fazer de Jesus, chamado Cristo?»

Responderam todos:

«Seja crucificado».

Pilatos insistiu:

«Que mal fez Ele?»

mas eles gritavam cada vez mais:

«Seja crucificado».

Pilatos, vendo que não conseguia nada e aumentava o tumulto, mandou vir água

E lavou as mãos na presença da multidão, dizendo:

«Estou inocente do sangue deste homem. Isso é lá convosco».

E todo o povo respondeu:

«O seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos».

Soltou-lhes então Barrabás. E, depois de ter mandado açoitar Jesus,

entregou-lh’O para ser crucificado.

Então os soldados do governador levaram

Jesus para o pretório e reuniram à volta d’Ele toda a corte.

Tiraram-Lhe a roupa e envolveram-n’O num manto vermelho.

Teceram uma coroa de espinhos e puseram-Lha na cabeça

E colocaram uma cana na sua mão direita.

Ajoelhando diante d’Ele, escarneciam-n’O, dizendo:

«Salve, Rei do judeus!»

depois, cuspiam-Lhe no rosto e, pegando na cana, batiam-Lhe com ela na cabeça.

Depois de O terem escarnecido, tiraram-Lhe o manto, vistiram-Lhe as suas roupas

E levaram-n’O para ser crucificado.

Ao saírem,

Encontraram um homem de Cirene, chamado Simão,

E requisitaram-no para levar a cruz de Jesus.

Chegados a um lugar chamado Gólgota,

Que quer dizer lugar do Calvário,

Deram-Lhe a beber vinho misturado com fel.

Mas Jesus, depois de o provar, não quis beber.

Depois de O terem crucificado, repartiram entre si as suas vestes,

Tirando-as à sorte, e ficaram ali sentado a guardá-l’O.

Por cima da sua cabeça puseram um letreiro,

Indicando a causa da sua condenação: «Este é Jesus, o Rei dos judeus».

Foram crucificados com Ele dois salteadores, um à direita e outro à esquerda.

Os que passavam insultavam-n’O e abanavam a cabeça, dizendo:

«Tu que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo;

se és Filho de Deus, desce da cruz».

Os príncipes dos sacerdotes, juntamente com os escribas e os anciãos,

Também troçavam d’Ele, dizendo:

«Salvou os outros e não pode salvar-Se a Si mesmo! Se é o Rei de Israel,

desça agora da cruz e acreditaremos n’Ele. Confiou em Deus:

Ele que O livre agora, se O ama, porque disse: ‘Eu sou Filho de Deus’».

Até os salteadores crucificados com Ele O insultavam.

Desde o meio-dia até às três horas da tarde, as trevas envolveram toda a terra.

E, pelas três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte:

«Eli, Eli, lema sabachtani!»,

que quer dizer: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?»

alguns dos presente, ouvindo isto, disseram:

«Está a chamar por Elias».

Um deles correu a tomar uma esponja, embebeu-a em vinagre,

Pô-la na ponta duma cana e deu-Lhe a beber. Mas os outros disseram:

«Deixa lá. Vejamos se Elias vem salvá-l’O».

E Jesus, clamando outra vez com voz forte, expirou.

Então, o véu do templo rasgou-se em duas partes de alto a baixo,

A terra tremeu e as rochas fenderam-se.

Abriram-se os túmulos e muitos corpos de santos que tinham morrido ressuscitaram;

E, saindo do sepulcro, depois da ressurreição de Jesus,

Entraram na cidade santa e apareceram a muitos.

Entretanto, o centurião e os que com ele guardavam Jesus,

Ao verem o tremor de terra e os que estava a acontecer ficaram aterrados e disseram:

«Este era verdadeiramente Filho de Deus».

 

Há um que abre a porta do coração, Jesus, e quem vê esta porta abrir-se encontra uma outra forma de abrir a vida. Todos fecharam a porta do coração diante de Jesus. Se antes o acolheram em grande festa, agora fecham-se na desculpa de não o conhecerem, de nada querem com Ele. É um problema um homem assim, porque não mata para viver, morre para dar a vida, dar vida. Aqui também se encontra a grande tentação, fechar-se, não derramar nem uma única gota de sangue pelo outro, não se entregar e lutar pela vida. Jesus derrama todas as gotas de sangue sobre o povo e aquele que viu, o centurião é que confessou: “este era verdadeiramente Filho de Deus.” Há que ver o sangue que se derrama numa vida que é bebida até ao fim, tomando para si a causa daqueles a que não se abre porta.

Quaresma V

Jo 11, 1-45

 

Naquele tempo,
estava doente certo homem, Lázaro de Betânia,
aldeia de Marta e de Maria, sua irmã.
Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com perfume
e Lhe tinha enxugado os pés com os cabelos.
Era seu irmão Lázaro, que estava doente.
As irmãs mandaram então dizer a Jesus:
«Senhor, o teu amigo está doente».
Ouvindo isto, Jesus disse:
«Essa doença não é mortal,

mas é para a glória de Deus,

para que por ela seja glorificado o Filho do homem».
Jesus era amigo de Marta, de sua irmã e de Lazaro.

Entretanto, depois de ouvir dizer que ele estava doente,
ficou ainda dois dias no local onde Se encontrava.
Depois disse aos discípulos:
«Vamos de novo para a Judeia».
Os discípulos disseram-Lhe:
«Mestre, ainda há pouco os judeus procuravam apedrejar-Te,

e voltas para lá?».
Jesus respondeu:
«Não são doze as horas do dia?
Se alguém andar de dia, não tropeça,
porque vê a luz deste mundo.
Mas, se andar de noite, tropeça,
porque não tem luz consigo».
Dito isto, acrescentou:
«O nosso amigo Lázaro dorme, mas Eu vou despertá-lo».

Disseram então os discípulos:
«Senhor, se dorme, estará salvo».
Jesus referia-se à morte de Lázaro,
mas eles entenderam que falava do sono natural.
Disse-lhes então Jesus abertamente:

«Lázaro morreu;
por vossa causa, alegro-Me de não ter estado lá,
para que acrediteis.
Mas vamos ter com ele».
Tomé, chamado Dídimo, disse aos companheiros:
«Vamos nós também, para morrermos com Ele».
Ao chegar, Jesus encontrou o amigo sepultado havia quatro dias.

Betânia distava de Jerusalém cerca de três quilómetros.
Muitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria,
para lhes apresentar condolências pela morte do irmão.

Quando ouviu dizer que Jesus estava a chegar,
Marta saiu ao seu encontro,
enquanto Maria ficou sentada em casa.
Marta disse a Jesus:
«Senhor, se tivesses estado aqui,
meu irmão não teria morrido.
Mas sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus,
Deus To concederá».
Disse-lhe Jesus:

«Teu irmão ressuscitará».
Marta respondeu:
«Eu sei que há-de ressuscitar na ressurreição do último dia».

Disse-lhe Jesus:
«Eu sou a ressurreição e a vida.
Quem acredita em Mim,
ainda que tenha morrido, viverá;
e todo aquele que vive e acredita em Mim nunca morrerá.

Acreditas nisto?».
Disse-Lhe Marta:
«Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus,
que havia de vir ao mundo».
Dito isto, retirou-se e foi chamar Maria,
a quem disse em segredo:
«O Mestre está ali e manda-te chamar».
Logo que ouviu isto, Maria levantou-se e foi ter com Jesus.

Jesus ainda não tinha chegado à aldeia,
mas estava no lugar em que Marta viera ao seu encontro.

Então os judeus que estavam com Maria em casa
para lhe apresentar condolências,

ao verem-na levantar-se e sair rapidamente,
seguiram-na, pensando que se dirigia ao túmulo para chorar.

Quando chegou aonde estava Jesus,
Maria, logo que O viu, caiu-Lhe aos pés e disse-Lhe:

«Senhor, se tivesses estado aqui,
meu irmão não teria morrido».
Jesus, ao vê-la chorar,
e vendo chorar também os judeus que vinham com ela,

comoveu-Se profundamente e perturbou-Se.
Depois perguntou: «Onde o pusestes?».
Responderam-Lhe: «Vem ver, Senhor».
E Jesus chorou.
Diziam então os judeus:
«Vede como era seu amigo».
Mas alguns deles observaram:
«Então Ele, que abriu os olhos ao cego,
não podia também ter feito que este homem não morresse?».

Entretanto, Jesus, intimamente comovido, chegou ao túmulo.

Era uma gruta, com uma pedra posta à entrada.
Disse Jesus: «Tirai a pedra».
Respondeu Marta, irmã do morto:
«Já cheira mal, Senhor, pois morreu há quatro dias».
Disse Jesus:
«Eu não te disse que, se acreditasses,
verias a glória de Deus?».
Tiraram então a pedra.
Jesus, levantando os olhos ao Céu, disse:
«Pai, dou-Te graças por Me teres ouvido.
Eu bem sei que sempre Me ouves,
mas falei assim por causa da multidão que nos cerca,
para acreditarem que Tu Me enviaste».
Dito isto, bradou com voz forte:
«Lázaro, sai para fora».
O morto saiu, de mãos e pés enfaixados com ligaduras
e o rosto envolvido num sudário.
Disse-lhes Jesus:
«Desligai-o e deixai-o ir».

Então muitos judeus, que tinham ido visitar Maria,

ao verem o que Jesus fizera, acreditaram n’Ele.

 

Assim que a luz dobrar a esquina, há outra visão de tudo. E a luz dobrou a esquina do segundo para o quarto dia. Aí na dobra, acontece o terceiro dia. Talvez mais importante de tudo seja o terceiro dia. Nesse não temos notícias. Ninguém viu o dobrar, o enlaçar para engraçar a vida dos desgraçados ossos, secos e ressequidos, amontoados, indiferenciados. Agora que estamos no quarto dia, apenas conseguimos falar de como era o segundo. Estranha visão do segundo, bem engraçada.

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