Comum XXX

Mt 22, 34-40

Naquele tempo,

os fariseus, ouvindo dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus,

reuniram-se em grupo,

e um doutor da Lei perguntou a Jesus, para O experimentar:

«Mestre, qual é o maior (megalé = grande) mandamento da Lei?».

Jesus respondeu:

«‘Amarás (agameseis = amor de gratuidade) o Senhor, teu Deus,

com todo o teu coração (kardía = coração), com toda a tua alma (psychi = psíquico; alma)

e com todo o teu espírito (dianoía = mente, através de um sentido)’.

Este é o maior e o primeiro mandamento.

O segundo, porém, é semelhante a este:

‘Amarás (‘agaméseis = amar gratuitamente) o teu próximo (plesion = proximo) como a ti mesmo’.

Nestes dois mandamentos se resumem

toda a Lei e os Profetas».

 

Um, duas, três… dezenas de vezes já foi escutado por nós este evangelho e sem nos apercebermos, ele caminho pelo nossa vida como companheiro de tantas jornadas, que nos esquecemos de o ter na alma e no coração para toda e qualquer ocasião. Fica por ali, na algibeira e como tudo o que se traz no bolso, só é usado quando precisamos ou algumas vezes, poucas, quando nos é pedido.

Seria bom fazer como qualquer judeu piedoso, rezá-lo todos os dias. Claro com o acrescento de Jesus. Melhor, basta que te faças próximo para compreenderes a grandeza das palavras de Jesus e todo o caminho que ainda te falta realizar.

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Comum XXVIII

Naquele tempo,

Jesus dirigiu-Se de novo

aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo

e, falando em parábolas, disse-lhes:

«O reino dos Céus pode comparar-se a um rei

que preparou um banquete nupcial para o seu filho.

Mandou os servos chamar os convidados para as bodas,

mas eles não quiseram vir.

Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes:

‘Dizei aos convidados:

Preparei o meu banquete, os bois e os cevados foram abatidos,

tudo está pronto. Vinde às bodas’.

Mas eles, sem fazerem caso,

foram um para o seu campo e outro para o seu negócio;

os outros apoderaram-se dos servos,

trataram-nos mal e mataram-nos.

O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos,

que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade.

Disse então aos servos:

‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos.

Ide às encruzilhadas dos caminhos

e convidai para as bodas todos os que encontrardes’.

Então os servos, saindo pelos caminhos,

reuniram todos os que encontraram, maus e bons.

E a sala do banquete encheu-se de convidados.

O rei, quando entrou para ver os convidados,

viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial.

e disse-lhe:

‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’.

Mas ele ficou calado.

O rei disse então aos servos:

‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores;

aí haverá choro e ranger de dentes’.

Na verdade, muitos são os chamados,

mas poucos os escolhidos».

 

Uma vez mais o reino dos Céus, mais uma vez que se abre uma porta e esta é para todos, porque todos são convidados. Um convite em cima de outro convite de um rei que convoca os convidados, chama os chamados. Um chamamento duplicado, porque o banquete está preparado. Então o reino do Céus é este convite, mas também é o banquete. Então este Rei não seja assim tão mau, mas na verdade tudo nos indica na parábola que mandou destruir a cidade dos que recusaram entrar e lançar às trevas exteriores quem entrou sem o traje nupcial. Não podemos esquecer que o traje nupcial seria dado por quem convida, neste caso o rei, e era sinal de amizade de vida partilhada e compartilhada. Aquele que não trouxe o traje é porque não aceitou a amizade do Rei, do Reino de Deus. Um imenso banquete, sim, a amizade com Deus em Jesus Cristo. É n’Ele que as vestes serão branqueadas, no sangue do Cordeiro (Ap 7).

Comum XXVII

Mt 21, 33-43

 

Naquele tempo,

disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo:

«Ouvi outra parábola:

Havia um proprietário que plantou uma vinha,

cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar

e levantou uma torre;

depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe.

Quando chegou a época das colheitas,

mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos.

Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos,

espancaram um, mataram outro, e a outro apedrejaram-no.

Tornou ele a mandar outros servos,

em maior número que os primeiros.

E eles trataram-nos do mesmo modo.

Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho, dizendo:

‘Respeitarão o meu filho’.

Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si:

‘Este é o herdeiro;

matemo-lo e ficaremos com a sua herança’.

E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no.

Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?».

Eles responderam:

«Mandará matar sem piedade esses malvados

e arrendará a vinha a outros vinhateiros,

que lhe entreguem os frutos a seu tempo».

Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes na Escritura:

‘A pedra que os construtores rejeitaram

tornou-se a pedra angular;

tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos’?

Por isso vos digo:

Ser-vos-á tirado o reino de Deus

e dado a um povo que produza os seus frutos».

 

Ser vinha do Senhor, ser Igreja, apenas para isso, para que tudo se viva na gratuidade. Este é o grande fruto que estamos chamados a viver, a gratuidade. Quem não vive a gratuidade de cada dia, vive assaltando a vida, como se esta precisasse de ser tomada, por estar sempre a escapar-nos. O momento da fé é a gratuidade, o dom, ver a vida como dom.

Comum XIV

Mt 11,25-30

Naquele tempo (Kairw = tempo apropriado, favorável, tempo com qualidade),

Jesus exclamou:

«Eu te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra,

porque escondeste estas verdades aos Sábios e inteligentes

e as revelastes aos pequeninos (nepíois = que não fala, menino pequeno, ou como dizem os mais novos, népias).

Tudo Me foi dado por meu Pai.

Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado.

Ninguém conhece o Filho senão o Pai

e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos,

E Eu vos aliviarei.

Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim,

Que sou manso e humilde de coração,

E encontrareis descanso para as vossas almas.

Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».

 

Os tempos da mansidão e da simplicidade são bíblicos por excelência. São os tempos dos pequeninos a quem Deus revela as coisas mais importantes, a comunhão de vida que há em Deus, entre o Pai e o Filho no Espírito Santo. Conhecer esta vida é entrar nesta relação, que nos faz esperar tudo de Deus e por isso desejar fazer tudo a partir de Deus. Esta é a oração de Deus, a Sua relação com o Pai, de quem espera tudo do Pai e tudo faz para que o Pai seja conhecido nesta relação por todos.

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Pentecostes

Jo 20, 19-23

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,

estando fechadas as portas da casa

onde os discípulos se encontravam,

com medo dos judeus,

veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes:

«A paz esteja convosco».

Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado.

Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.

Jesus disse-lhes de novo:

«A paz esteja convosco.

Assim como o Pai Me enviou,

também Eu vos envio a vós».

Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes:

«Recebei o Espírito Santo:

àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados;

e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».

 

Talvez seja bom descobrir a ‘inutilidade de Deus’. Os Apóstolos recebem o Espírito Santo e este tem apenas como missão preencher de vida tudo em todos, pela paz e amizade criada. Não serve para mais nada, apenas para recriar tudo agora segundo a lei do amor e já não no determinismo da natureza. Se Deus fosse útil, serviria para meu gozo própria ou para a minha felicidade individual. Nada disso, Ele apenas deseja que saibamos que somos amados e isso não tem qualquer utilidade. A missão que nos confia é apenas essa, viver como pessoas que são infinitamente amadas. Pertencer ao grupo de discípulos de Jesus, a Igreja, é viver diante desta experiência de ser amado. E isso serve para quê? Pois…

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Ascensão

Mt 28, 16-20

Naquele tempo,

os onze discípulos partiram para a Galileia,

em direção ao monte que Jesus lhes indicara.

Quando O viram, adoraram-n’O;

mas alguns ainda duvidaram.

Jesus aproximou-Se e disse-lhes:

«Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra.

Ide e ensinai todas as nações,

baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo,

ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei.

Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».

 

Um seguir que é permanecer. Permanecer que é amar e não há maior amor do que há em Deus. Seguir Jesus, ser seu discípulo, apenas isso, a grande amizade com Ele está no viver a Sua missão o máximo possível. Dar a vida pelo amigo, dando-se na vida pelos amigos, para que também esses vivam no mesmo amor com que nós vivemos, com que fomos batizados. A missão é essa, mergulhar, batizar, todos no amor que há em Deus. Aqui sim, tantos a libertar das ataduras do mal…

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Páscoa VI

Jo 14, 15-21

Naquele tempo,

disse Jesus aos seus discípulos:

«Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos.

E Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Paráclito,

para estar sempre convosco:

Ele é o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber,

porque não O vê nem O conhece,

mas que vós conheceis,

porque habita convosco e está em vós.

Não vos deixarei órfãos: voltarei para junto de vós.

Daqui a pouco o mundo já não Me verá,

mas vós ver-Me-eis, porque Eu vivo e vós vivereis.

Nesse dia reconhecereis que Eu estou no Pai

e que vós estais em Mim e Eu em vós.

Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre,

esse realmente Me ama.

E quem Me ama será amado por meu Pai,

e Eu amá-lo-ei e manifestar-Me-ei a ele».

Continuamos a senda do caminho que leva à verdade da vida ou, melhor, uma vida na verdade leva a um caminho de humildade. Agora damos um passo em frente e completamos esta caminhada. Esta tem um fim, a comunhão com o Pai em Jesus Cristo pelo Espírito Santo. Tudo mais simples, Deus tem uma morada para nós e no Seu imenso amor deseja habitar connosco a vida. Não é um concorrente nem entre em disputa, mas quem ama sabe que o amor faz sempre uma morada no coração para aquele que se ama. Esta é a missão do Espírito, preparar essa morada onde nos podemos encontrar. A verdade do amor vê-se aqui na morada que se prepara, se é de sempre e para sempre ou se é apenas um tugúrio para albergar amores a enjeitar.

Páscoa V

Jo 14, 1-12

Naquele tempo,

disse Jesus aos seus discípulos:

«Não se perturbe o vosso coração.

Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim.

Em casa de meu Pai há muitas moradas;

se assim não fosse,

Eu vos teria dito que vou preparar-vos um lugar?

Quando eu for preparar-vos um lugar,

virei novamente para vos levar comigo,

para que, onde Eu estou, estejais vós também.

Para onde Eu vou, conheceis o caminho».

Disse-Lhe Tomé:

«Senhor, não sabemos para onde vais:

como podemos conhecer o caminho?».

Respondeu-lhe Jesus:

«Eu sou o caminho, a verdade e a vida.

Ninguém vai ao Pai senão por Mim.

Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai.

Mas desde agora já O conheceis e já O vistes».

Disse-Lhe Filipe:

«Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta».

Respondeu-lhe Jesus:

«Há tanto tempo que estou convosco

e não Me conheces, Filipe?

Quem Me vê, vê o Pai.

Como podes tu dizer: ‘Mostra-nos o Pai’?

Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim?

As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio;

mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras.

Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim;

acreditai ao menos pelas minhas obras.

Em verdade, em verdade vos digo:

quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço

e fará obras ainda maiores,

porque Eu vou para o Pai».

 

O poeta diz que não há caminho, porque este se faz a andar. Hoje, talvez, muitos dirão que não há um só caminho. Talvez um ou outro mais radical acrescente que não há qualquer género de caminho, por ser um anarquista. Ser anarquista é viver sem um princípio e logo também sem qualquer fim. No meu humilde entender, até isto é um princípio e que tem por fim, não ter qualquer forma de fim. É verdade, o fim forma o caminho. O fim que damos à vida forma o caminho que fazemos e essa passa a ser a nossa verdade. A verdade de Jesus é a profunda comunhão de vida com o Pai, por isso todo o seu caminho é levar todos ao Pai. Um caminho vivente e verdadeiro porque na humildade. O princípio de tudo deverá ser mesmo este, não temos princípio em nós próprios, somos seres dados por outros, Outro. E fim?

Páscoa IV

Jo 10, 1-10

Naquele tempo, disse Jesus:

«Em verdade, em verdade vos digo:

Aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta,

mas entra por outro lado,

é ladrão e salteador.

Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas.

O porteiro abre-lhe a porta

e as ovelhas conhecem a sua voz.

Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva-as para fora.

Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem,

caminha à sua frente;

e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz.

Se for um estranho, não o seguem, mas fogem dele,

porque não conhecem a voz dos estranhos».

Jesus apresentou-lhes esta comparação,

mas eles não compreenderam o que queria dizer.

Jesus continuou:

«Em verdade, em verdade vos digo:

Eu sou a porta das ovelhas.

Aqueles que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores,

mas as ovelhas não os escutaram.

Eu sou a porta.

Quem entrar por Mim será salvo:

é como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem.

O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir.

Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida

e a tenham em abundância».

 

É habitual dizer que Jesus é o bom/belo pastor. Tão comum que já não estranhamos que a beleza deste pastor encontra-se na bondade com que conhece cada ovelha, como as conduz para as pastagens mais verdejantes e no fato de seguir à frente do rebanho. Mas não chega e em tudo isto só se encontra o assombro quando fixamos a escuta na proclamação: “Eu sou a porta”. É fácil compreender a alegoria de Jesus luz do mundo, água viva ou bom pastor, já a da porta é difícil. Que porta? Na nossa casa há umas quantas portas, na vida muitas mais, mas no fim de tudo só uma interessa que se abra. Jesus deixou que lhe abrissem o coração na cruz e daqui brotou vida em abundância. Não, não defendemos o sacrifício pelo sacrifício, mas a entrega que nos faz caminhar à frente do rebanho, que nos faz ser como a porta por onde o rebanho entra na vida.

Páscoa III

Lc 24, 13-35

Dois dos discípulos de Jesus

iam a caminho duma povoação chamada Emaús,

que ficava a duas léguas de Jerusalém.

Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido.

Enquanto falavam e discutiam,

Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho.

Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem.

Ele perguntou-lhes.

«Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?».

Pararam, com ar muito triste,

e um deles, chamado Cléofas, respondeu:

«Tu és o único habitante de Jerusalém

a ignorar o que lá se passou nestes dias».

E Ele perguntou: «Que foi?».

Responderam-Lhe:

«O que se refere a Jesus de Nazaré,

profeta poderoso em obras e palavras

diante de Deus e de todo o povo;

e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes

O entregaram para ser condenado à morte e crucificado.

Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel.

Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu.

É verdade que algumas mulheres do nosso grupo

nos sobressaltaram:

foram de madrugada ao sepulcro,

não encontraram o corpo de Jesus

e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos

a anunciar que Ele estava vivo.

Alguns dos nossos foram ao sepulcro

e encontraram tudo como as mulheres tinham dito.

Mas a Ele não O viram».

Então Jesus disse-lhes:

«Homens sem inteligência e lentos de espírito

para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram!

Não tinha o Messias de sofrer tudo isso

para entrar na sua glória?».

Depois, começando por Moisés

e passando pelos Profetas,

explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito.

Ao chegarem perto da povoação para onde iam,

Jesus fez menção de ir para diante.

Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo:

«Ficai connosco, porque o dia está a terminar

e vem caindo a noite».

Jesus entrou e ficou com eles.

E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção,

partiu-o e entregou-lho.

Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O.

Mas Ele desapareceu da sua presença.

Disseram então um para o outro:

«Não ardia cá dentro o nosso coração,

quando Ele nos falava pelo caminho

e nos explicava as Escrituras?».

Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém

e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, que diziam:

«Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão».

E eles contaram o que tinha acontecido no caminho

e como O tinham reconhecido ao partir o pão

 

 

Trazemos sonhos enterrados, vozes abafadas. Já pouco ou nada sonhamos. Apenas deambulamos entre desassossegadas recordações. Suspiramos uma vida desatada das cáusticas vozes da morte. E o caminho faz-se descaminhando. Não há espaço para devaneios e todo aquele que em nós deseja abrir uma outra possibilidade terá como resposta a reação: não sabes, não compreendes… não passa de uma ilusão…

É verdade que dói quando o coração começa a arder. Todos bem sabemos o que é um coração incendiado de paixão. E o lume brando que abre um outro sentido? “Não nos ardia o coração…” Agora já não é de paixão, mas de um fogo que consome a vida. Não mais um viver como se nada mais houvesse para viver. Só há algo a viver quando caminhamos juntos. A ressurreição é mais do que uma mensagem que não morre ou alguém que fica vivo nas suas palavras, é sobretudo uma amizade que a morte não vence, porque mesmo depois de morto, eu continuo a caminhar contigo, a fazer dos meus passos um espaço para comungar: “sempre que fizeres a um dos meus irmãos mais pequeninos…” ainda há tantos passos a dar…